Ponto de paz

É incrível como certos artistas traçam uma melodia que afeta a sua mente, sua psique, seu corpo, seus órgãos, seus olhos, sua boca, seu coração. Algumas músicas me tiram do sério, outras me obrigam a tirar os pés do chão e outras ainda, a fechar os olhos e balançar suavemente o rosto. Obrigam todos os meus pelos a se eriçar e pressionar meus lábios contra si próprios. Acompanhar o ritmo, entrar em perfeita sincronia, prever todos os verbos, movimentos, ordem das notas.
Te transportam pra qualquer outro lugar onde nada mais importa.
É isso que eu chamo de orgasmo musical.
Eu sou a pessoa mais masoquista que eu conheço. Não sei porque faço isso comigo mesma. Não sou como as outras, que deixam provas - mesmo que temporárias - na pele para identificá-las. Não, não, a única prova física que me define são os vincos temporários na testa. Que passam, quando eu acabo esquecendo. Mas de certo modo, parece que eu tenho um certo gosto por sofrer. Embora eu tenha tudo que eu mais queria (ou pelo menos, pensava que queria), eu insisto em pôr defeito. Ficar mal e fazer careta porque tudo que eu mais queria... Não foi sempre meu. Não paro de lamentar por isso, tudo que eu mais queria já foi, em vários momentos, de outras pessoas. E um dia, ah, maldito seja tal dia, não será mais meu. E não há nada que eu possa fazer.

Acho que isso faz de mim uma pessoa extremamente possessiva. Ainda pior do que isso, que sofre em silêncio. E em silêncio, não há ninguém que me convença do contrário.

cont. conto

Dois de julho de 2009. Terceiro dia de férias. Eu ouvia as mesmas músicas depressivas das bandas que eu mais gostava. Tinha sido obrigada a trocar de bandas favoritas, mas uma coincidência infeliz me fez olhar na janela (enquanto eu ouvia uma das únicas músicas das minhas bandas realmente favoritas que havia sobrado no meu mp3) e avistá-lo.

Ele. Olhando fixamente pro meu prédio, com aquela camisa velha do Blink e o all star que eu tanto gostava.

Esquecendo todos os meus esforços anti-humilhação, observei-o por alguns minutos, que pareceram horas. Ele não parava. Não parava. E aquilo me incomodava tanto que eu não tinha a capacidade de fechar a janela. Motivo número um, ele. Motivo número dois, a chuva.

"Amor não é amor

se se altera quando encontra alterações ou se curva diante da força contrária: Ah, não, é uma marca pra sempre fixa, que enfrenta tempestades sem estremecer; É a estrela guia de cada barco errante, cujo valor é desconhecido, embora sua altura seja medida. Amor não é servo do Tempo, mesmo que lábios e faces sofram os efeitos de seu compasso poderoso; Amor não e altera com o passar de horas e semanas, mas resiste a tudo até o limiar da ternidade. Se isso é falso, e o engano for provado, eu nunca escrevi, e ninguém jamais amou."

William Shakespeare

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Bom, isso é um jeito de olhar para a coisa. [preciso terminar de escrever]

cont. conto

Dois de julho de 2009. Terceiro dia de férias. Eu ouvia as mesmas músicas depressivas das bandas que eu mais gostava. Tinha sido obrigada a trocar de bandas favoritas, mas uma coincidência infeliz me fez olhar na janela (enquanto eu ouvia uma das únicas músicas das minhas bandas realmente favoritas que havia sobrado no meu mp3) e avistá-lo.

Ele. Olhando fixamente pro meu prédio, com aquela camisa velha do Blink e o all star que eu tanto gostava.

Esquecendo todos os meus esforços anti-humilhação, observei-o por alguns minutos, que pareceram horas. Ele não parava. Não parava. E aquilo me incomodava tanto que eu não tinha a capacidade de fechar a janela. Motivo número um, ele. Motivo número dois, a chuva.

Ideologia, eu quero uma pra viver?

Eu passei um real bom tempo, do tipo meses, pensando que um post essencial aqui seria esse que eu estou prestes a fazer. Pensei tanto sobre o que eu estudei em português (literatura).


Nós nascemos inocentes, alienados - sendo, de certa forma, ter certeza de tudo consequência disso. Não temos dúvida alguma de que a nossa mãe é aquela ali, de que comer, dormir e fazer as necessidades são tudo que precisamos. Somos todos praticamente todos iguais nessa altura de nossas vidas. Usamos as roupas que nossas mães põe em nós, ouvimos cantigas de ninar, etc. O cabelo cresce, aprendemos a andar, a ler, tudo no nosso próprio ritmo. Descobrimos a variedade de tudo, escolhemos cores, animais, amigos, filmes favoritos.
Tudo que nos foi ensinado, a visão de certo e errado vai se ampliando até que a linha entre o certo, o errado e o real é invisível aos olhos nus. Temos de aprender, por nós mesmos, em segredo e achando que ninguém mais tem de fazer isso, o que é certo e o que é errado. Isso resulta em diferentes respostas e numa gigantesca divergência de opiniões. Tal divergência varia de acordo com o ambiente que estamos, que nos baseamos: casa, família, histórias que nos contam ou não e como o fazem.
O problema é que nem sempre o que nós nos baseamos é o que pensamos. Resumindo, então o que acreditávamos antes ser tudo certo e verdade, não passam de mentiras.
Isso é muito frequente. Pelo menos comigo. Acreditar numa coisa, basear seus atos nela, ter uma ideologia e ela simplesmente... Se desmanchar, porque os pilares que a seguravam eram ilusórios.
E não importa o jeito que eu tente, toda ideologia que eu começo a acreditar, se desfaz. Por quê? Porque eu vivia num mundo cheio de mentiras. Ainda vivo. Eu acho que sempre, "dessa" vez, eu já descobri tudo e aprendi o que é verdade e... Bom, não. Não aprendi.

cont

De que vale o rótulo de dezesseis anos quando sua mãe te vê com apenas doze, você se vê sempre com dez a mais e o mundo te prende nele por seguintes 364 dias, limitando todas as suas ações?

Eu simplesmente contava os dias para completar dezoito anos e zarpar daquela cidade. Nunca mais ver quaisquer daqueles rostos, inclusive os da minha família. Tinha cansado de relações afetivas, perdido minha fé no amor. Não lutava mais, não tentava chamar atenção, não puxava-o para cantos estratégicos e perguntar o que havia acontecido pra ouvi-lo negar, não mais.

O inverno seguinte estava próximo e eu entrei em pânico. Não sabia o que esperar e o que eu realmente queria era viajar e fugir. Mas os usuais e "surpreendentes" buracos nos bolsos do meu pai me impediam.