Mostrando postagens com marcador historia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador historia. Mostrar todas as postagens

cont. conto

Saí batendo portas (minha mãe não estava em casa).

Desci correndo, abri o portão do condomínio e sentei na calçada. Acendi um cigarro e o observei se desmanchar. E lá, de repente, estava ele. Do meu lado. Pegou o cigarro da minha mão, deu uma tragada, jogou no chão e pisou. Eu evitei contato visual. Soltou, com aquela voz rouca: - Achei que nós dois iríamos parar.

O que não passou na minha cabeça naquele momento? Cenas que eu tinha passado noites em claro tentando esquecer, lembranças enfiadas no fundo do armário. Frases que eu treinara na frente do espelho questionando-o, insultando-o e agredindo-o.

Eu estava prestes a vomitar. Ou a ter um ataque. A escolha era realmente difícil. Antes de resolver qualquer coisa, respirei fundo. O pior que eu poderia ter feito.
O cheiro da fumaça tinha ido embora e só o que tinha restado era o cheiro de terra molhada.
Um fio de voz saiu da minha garganta.

- Qual é a sua, Guilherme?

- Não faz drama, Tatá.

- Então você simplesmente voltou.

- É. Tipo isso.


cont. conto

Dois de julho de 2009. Terceiro dia de férias. Eu ouvia as mesmas músicas depressivas das bandas que eu mais gostava. Tinha sido obrigada a trocar de bandas favoritas, mas uma coincidência infeliz me fez olhar na janela (enquanto eu ouvia uma das únicas músicas das minhas bandas realmente favoritas que havia sobrado no meu mp3) e avistá-lo.

Ele. Olhando fixamente pro meu prédio, com aquela camisa velha do Blink e o all star que eu tanto gostava.

Esquecendo todos os meus esforços anti-humilhação, observei-o por alguns minutos, que pareceram horas. Ele não parava. Não parava. E aquilo me incomodava tanto que eu não tinha a capacidade de fechar a janela. Motivo número um, ele. Motivo número dois, a chuva.

cont. conto

Dois de julho de 2009. Terceiro dia de férias. Eu ouvia as mesmas músicas depressivas das bandas que eu mais gostava. Tinha sido obrigada a trocar de bandas favoritas, mas uma coincidência infeliz me fez olhar na janela (enquanto eu ouvia uma das únicas músicas das minhas bandas realmente favoritas que havia sobrado no meu mp3) e avistá-lo.

Ele. Olhando fixamente pro meu prédio, com aquela camisa velha do Blink e o all star que eu tanto gostava.

Esquecendo todos os meus esforços anti-humilhação, observei-o por alguns minutos, que pareceram horas. Ele não parava. Não parava. E aquilo me incomodava tanto que eu não tinha a capacidade de fechar a janela. Motivo número um, ele. Motivo número dois, a chuva.

17/12/2010

Ok.
eu comecei essa história faz um tempão, crente de que ia conseguir tirar um livro dela, mas sei lá, não rolou. não roubem. acho que poderia ter ficado bem melhor.
se tiver afim de ler... vou postar em partes, pq tá bem grande.

ps: tá bem longe de ser verídica e não tem nome.

--

Nós tinhamos o quê, dois ou três meses de diferença. De resto, nada nos separava. Gostávamos do mesmo tipo de música, morávamos um ao lado do outro, tínhamos mães igualmente apreensivas, andávamos sempre com um livro na mão e na outra um baseado. Saíamos de casa depois de chover pra sentir o cheiro de terra molhada e conversar por horas sobre as particularidades da vida.

Quando estávamos juntos, nada mais tinha sentido. Era o meu corpo sobre, ao lado, embaixo, não importava, com o dele. E a beleza, entre nós, era o último critério - apesar de ficarmos avaliando a alheia que se manifestava na rua.

Tudo que encaixava, tudo que tinha sentido, não era amizade, não era amor, não era família, aquilo que tínhamos, se resumiu a nada.

As férias de inverno se passaram e era como se um mês tivesse sido retirado da mente dele. Apesar de todos os meus esforços, esse mês fazia questão de martelar na minha, 24 horas por dia.

E lá estava eu. De novo, monitorando discretamente os movimentos dele. Tentando decifrá-lo. Apesar de lembrar com uma frequência excessiva do que nós dois dizíamos: nem todas as ações têm um sentido, nem tudo quer dizer alguma coisa.

Bom. Eu sabia que o fato de ele dar exclusividade de seus abraços e sorrisos para outra garota significava, com certeza, alguma coisa.

Apesar do meu ciúme doentio, eu certificava-me de que ninguém, ninguém mesmo, além de mim, tivesse conhecimento de julho de 2008. Simplesmente o mês mais memorável da minha vida.